terça-feira, 20 de abril de 2010

CARREIRO CAPRICHOSO


Eu tirei na lua certa
Madeira bem escolhida
O carro construí de balsamo
Qualidade preferida
Cangas, canzis e chaveias
Do puro jacarandá
Dois varões aparelhados
Escolhi de catiguá.


Arreatas de cambãos
Esquilhida de ipê
Também vara de ferrão
No capricho como quê
A esteira de taquara
Com capricho foi tecida
Muito bem arrematada
Para pegar boa medida.


Eu fiz a corda ligeira
De couro crú caprichado
As broxas e tiradeiras
Torcidas, bem acochadas
Ajoujos do fio do lombo
Do jeito que sei fazer
Banhei tudo no azeite
Para o rato não roer.


Azeiteiro pendurado
Para as cantadeiras untar
Para o carro cantar bonito
O eixo não desgastar
Azeiteiro é uma lembrança
Que do meu peito não sai
É o chifre do balancete
Herança do velho pai.


Os dez bois amansei
Ensinei bem ensinados
Argolei dos taís, os chifres
Com carinho garampados
Não escondo a identidade
Sou do mato, sou roceiro,
Amo minha profissão,
Orgulho de ser carreiro.


Autor: Manoel da Silveira Corrêa (Manoel da Tunica)

Um comentário:

  1. Eita nóis. Que trem bom, sô.
    Até parece que conheço MInas.

    Vou linkar seu blog ao meu e te seguir aqui e no Recanto das Letras.

    Abraços

    ResponderExcluir